4 Requisitos para trabalhar no Japão nos próximos 10 anos

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Conheça os requisitos das empresas japonesas para trabalhadores estrangeiros.      O que você vai estar fazendo daqui a 10 anos?

Estou residindo no Japão desde 1991 e venho acompanhando as diversas transformações das exigências do mercado de trabalho para estrangeiros, principalmente brasileiros sem qualificação.

Para os interessados em continuar trabalhando no Japão ou para aqueles que pretendem vir (ou retornar), apresentarei algumas dicas que venho considerando importantes para os estrangeiros trabalhadores.

  1. Domínio da Língua japonesa
  2. Moradia e condução própria
  3. Qualificação
  4. Legislação Trabalhista

Domínio da Língua Japonesa

Parece óbvio, que morando no exterior deve-se conhecer o idioma local. Mas aqui no Japão, temos muitas facilidades como:

Empreiteiras com funcionários brasileiros, que muitas vezes mantem o staff também dentro das fábricas e outros locais de trabalho.

Dentro da comunidade, onde há grande aglomeração de brasileiros, temos serviços de intérpretes nas Prefeituras, Escolas, Creches, Hospitais Municipais, órgãos públicos (Receita Federal, Hello Work, etc).

Hoje em dia é possível realizar o exame para Carteira de Motorista em língua portuguesa. Até para a compra da casa própria, as imobiliárias mantem brasileiros no quadro de funcionários.

Quando não são os amigos, vizinhos, são os filhos que estudam em escolas japonesas que ajudam na comunicação, na função de intérpretes.

Existem muitos cursos de japonês online ou presenciais, com ou sem custo destinado aos estrangeiros. Porém, vários obstáculos são colocados: falta de horário (zangyo ou calendário de trabalho alternado ou incluindo finais de semana, etc), cansaço, desmotivação, mudança de cidade, etc.

Por que aprender ler, escrever e falar japonês é necessário?

Empreiteiras

Por longos anos, empreiteiras especializadas na segmentação de estrangeiros, principalmente, brasileiros, contrataram funcionários para as fábricas, com total assistência e intérpretes para a língua portuguesa.

Nos últimos anos vem crescendo o número de empreiteiras japonesas que incorporam estrangeiros no seu quadro de funcionários. Nem todas as empresas contam com staff em língua portuguesa. Entrevistas, testes, contrato, treinamento, explicações do trabalho são realizados em japonês.

Estrangeiros trabalhadores

A legislação  permite que descendentes de japoneses e seus cônjuges trabalhem no arquipélago recebendo visto de permanência para trabalho.
É o caso de brasileiros e muitos latinos (peruanos, argentinos, uruguaios, paraguaios, etc. ),  locais que receberam grande contigente de imigrantes japoneses. Este tipo de visto permite renovação e solicitação de Visto Permanente e em alguns casos, até de nacionalidade japonesa.

O Brasil ocupou por muito tempo a terceira colocação entre os países com mais estrangeiros residentes no Japão. Já tivemos mais de 300 mil brasileiros aqui.

Atualmente, passamos para a quinta colocação, sendo ultrapassado pelas Filipinas e Vietnã. Além destes países, o Japão tem recebido milhares de asiáticos para trabalho. Este número vem aumentando a cada ano.

Os asiáticos, por não serem descendentes, recebem um outro tipo de visto, que permite trabalhar por 3 anos, a princípio, sem retorno. A condição para estes receberem o visto, é o conhecimento da língua japonesa, o que não é exigido aos descendentes (brasileiros, latinos).

Empresas

Cada dia mais, dentro dos requisitos das empresas contratantes (fábricas, serviços) vem sendo exigido o conhecimento do idioma. Além de ler e escrever o HIRAGANA e KATAKANA, é necessário conversação do cotidiano dentro do trabalho. Ou seja, se virar sem o auxílio de um intérprete.

Muitas empresas atualmente realizam testes em japonês e realizam entrevistas também em japonês.


Moradia e condução própria

Até alguns anos atrás, era comum empreiteiras oferecerem serviços de moradia (apartamento, alojamento) e condução (sougei, van, ônibus).

Recentemente temos notado que muitos empregos são oferecidos para aqueles que tem moradia e condução própria. Isto vem sendo reforçado com a entrada maciça de empreiteiras japonesas que não oferecem este tipo de benefício.

Muitas imobiliárias oferecem imóveis para alugar (o que não era comum antigamente) para estrangeiros. Apartamentos da Prefeitura e do Governo, também estão disponíveis.

Alugar por conta própria, requer uma reserva considerável para assinar um Contrato. Porém, existe a vantagem de não precisar mudar, ao trocar de emprego.

Para alugar um imóvel, é necessário estar consciente de despesas além do aluguel, como conta de luz, água, gás, taxa de estacionamento, taxa da Associação do Bairro, seguro da casa, etc.

Com a facilidade de conseguir a Carteira de Motorista, com exame feito em português (mas tem que estudar bastante), é possível ter condução própria para o trabalho, uma vez que o custo do veículo usado está mais acessível.

Lembrando que as empresas só contratam funcionários com veículo se estiverem inscritos no Seguro do Carro.

Estar atento a despesas com veículos: combustível (nem sempre há ajuda de transporte), taxa de seguro do carro, imposto anual do veículo, shaken a cada dois anos, taxa de estacionamento, despesas diversas de manutenção.


Qualificação

Até hoje, os brasileiros trabalharam em fábricas sem se preocuparem em elaborar um CURRÍCULO, explicando tipo de trabalho, habilidades, experiências.

É muito importante que todos registrem os trabalhos realizados. Coloque no papel: data de entrada/saída, empresa (empreiteira, fabrica, cidade), nome da empresa, tipo de trabalho, nome das máquinas e ferramentas utilizadas, nome dos processos executados (solda, prensa, fundição, logística, montagem, inspeção, etc).

Muitos trabalhadores além da carteira de motorista, vem tirando carteira de empilhadeira, guindaste, tamakake e outros utilizados nas fábricas. Alguns tem feito cursos de solda, fundição, pintura, helper, e outros, relacionados ao trabalho.

Existem inúmeros cursos que podem ser verificados no Hello Work.

O importante é você conhecer e dominar bem o procedimento do seu trabalho, os equipamentos e ferramentas, como também estar sempre disponível para novas aprendizagens. Só assim, você estará um passo à frente dos demais.

Invista mais tempo em aprender o idioma japonês, isto abrirá muitas portas daqui para frente, onde o mercado de trabalho estará mais seletivo e exigente. Terá um amplo leque de cursos de especialização. Hoje empresas contratam todas as pessoas disponíveis, mas chegará o momento em que serão contratados somente os bons trabalhadores no ramo.


Conhecimento da Legislação Trabalhista

Em qualquer lugar do mundo, a legislação do trabalho, com direitos e deveres deve ser cumprido pelo empregado e empregador. É sua obrigação conhecer as normas trabalhistas do Japão. Só assim, poderá exigir seus direitos e cumprir seus deveres e procurar emprego em empresas idôneas e sérias.

Contrato de trabalho, férias remuneradas, Seguro Social, pagamento adicional e outros itens estão disponíveis em Língua portuguesa na Internet para consulta. Não saber já não é desculpa, como foi no passado.

O que as empresas japonesas mais reclamam dos estrangeiros:

Aviso prévio

•Muitos deixam o trabalho sem dar o aviso prévio.

•Imagina se te comunicarem que amanhã é o seu último dia de trabalho e sem indenização de aviso prévio. Com certeza você não vai gostar e estar terrivelmente preocupado com suas contas e o stress de procurar um novo emprego (muitas vezes, até mudar de residência). Com a empresa acontece o mesmo. Existe uma grande responsabilidade com a produção e sua saída repentina causará grandes transtornos à fábrica.

•Dar aviso prévio conforme os regulamentos da empresa, poderá abrir portas novamente se um dia precisar retornar, desde que tenha sido um bom funcionário.

 

 

Atrasos.

•Todos sabem que os japoneses são rigorosamente PONTUAIS. Nesta cultura é inadmissível o ATRASO, somente em casos muito específicos ou emergenciais. Mas o que é um atraso? Dois atrasos… Três atrasos… Na realidade pode ser o motivo de sua dispensa.

•É importante ter muito cuidado para não se atrasar (sair mais cedo, mudar a rota, dormir mais cedo, etc). Mesmo que você execute o seu trabalho corretamente, se tem atrasos, sua performance no geral será prejudicada.

Falta

•Não existe problemas em faltas quando programadas. Também em casos de doença, desde que você tenha ido ao médico.

•O grande problema são as FALTAS REPENTINAS, muitas vezes sem comunicação, sendo que é a empresa ou empreiteiras que “corre” atrás para saber o motivo da sua ausência.

•A falta repentina na “segunda-feira” tem sido um dos grandes problemas nas fábricas… Aproveite o final de semana, para descansar, se divertir, sempre lembrando que tem que trabalhar no dia seguinte.

Acidentes de trabalho

•Um dos fatores que causam o acidente de trabalho (seja leve ou grave), é a falta de cumprimento das normas estabelecidas.

•”Pulando” uma etapa do serviço, “fazendo do seu jeito”, “achando” que entendeu a explicação, atitudes assim levam a acidentes. Quando é um corte no dedo sem grande profundidade, ou quando perder a mão prensado na máquina, não importa, é ACIDENTE de trabalho.

•Com exceção dos casos de más condições do local de trabalho, máquinas, ferramentas, a grande parte da culpa é do próprio trabalhador. Conhecer os regulamentos e o local de trabalho. Entender e seguir as normas (quando ficar em dúvida, pergunte sempre). Estar sempre atento para PREVENIR acidentes é muito importante.


Este assunto é muito mais profundo e extenso, mas a intenção foi deixar dicas importantes para quem pretender continuar no Japão nos próximos anos.

Enquanto estiver  com 30, 40 anos, sempre terá serviço.
Mas lembre-se que ao chegar aos 50 anos, o mercado estará mais exigente. Você deve estar mais preparado e qualificado para continuar trabalhando mesmo aos 60 anos, competindo com os jovens no mercado de trabalho.

Um pouco da minha história.

Há 27 anos, quando cheguei trabalhei em fábricas, só sabendo ler e escrever Hiragana e Katakana, e nada de conversação (não entendia bulufas da TV japonesa). Não fiz curso de japonês, estudei aos poucos em casa e com os japoneses da fábrica (no começo era na base de mímicas).

Um dia fui trabalhar no escritório, onde aprendi bastante no dia a dia.
Hoje aos 60 anos, não sou contratada na fábrica para a produção
(passou da idade…).

Faço traduções de Manuais Operacionais para grandes empresas automobilísticas. Mas continuo estudando e aprendendo a cada dia.

E você, o que estará fazendo aos 60 anos?

Espero que estas informações tenham sido úteis.
Compartilhe com os amigos também.


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